{"id":9789,"date":"2023-09-20T05:46:11","date_gmt":"2023-09-20T08:46:11","guid":{"rendered":"https:\/\/creativb.com.br\/instituto-antigo\/?p=9789"},"modified":"2023-09-21T08:25:18","modified_gmt":"2023-09-21T11:25:18","slug":"saiba-mais-sobre-cigarro-eletronico-e-seus-riscos-para-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creativb.com.br\/instituto-antigo\/educacional\/saiba-mais-sobre-cigarro-eletronico-e-seus-riscos-para-a-saude\/","title":{"rendered":"Saiba mais sobre Cigarro Eletr\u00f4nico e seus riscos para a sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Os cigarros eletr\u00f4nicos surgiram como uma alternativa aparentemente menos prejudicial ao tabagismo convencional. No entanto, \u00e0 medida que sua popularidade cresceu, tamb\u00e9m apareceram preocupa\u00e7\u00f5es sobre os potenciais perigos para a sa\u00fade associados a esses dispositivos.<\/p><p>Nesse conte\u00fado do Cooperando com o Cora\u00e7\u00e3o, a especialista do InCor, Profa. Dra. Jaqueline Scholz, explora os riscos \u00e0 sa\u00fade associados ao uso de cigarros eletr\u00f4nicos. Confira:<\/p><p>A ANVISA desde 2009 pro\u00edbe a comercializa\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o e propaganda de quaisquer Dispositivos Eletr\u00f4nicos para Fumar (DEFs) no Brasil, inclusive em julho de 2022, ratificou esta decis\u00e3o. Pa\u00edses que acreditaram nestes produtos, como EUA e Inglaterra, constatam uma&nbsp;epidemia de consumo entre os jovens. Diferente do cigarro comum, que demora 20 anos para causar doen\u00e7as, este produto teve a capacidade de provocar uma grave s\u00edndrome respirat\u00f3ria em mais de 2800 jovens americanos no ano de 2019, causando a morte de 69, a chamada EVALI. Outro dado preocupante \u00e9 que a mortalidade por doen\u00e7a cardiovascular nos Estados Unidos tem aumentado nos \u00faltimos 10 anos entre os mais jovens, e coincide com aumento do consumo do produto entre eles. Paralelamente, in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es demonstram risco aumentado de infarto e derrame cerebral entre os usu\u00e1rios, bem como, pesquisas revelam mecanismos de inflama\u00e7\u00e3o e les\u00f5es na parede dos vasos sangu\u00edneos provocados por aeross\u00f3is contendo nicotina e in\u00fameros aromatizantes. metais pesados e outras subst\u00e2ncias n\u00e3o totalmente conhecidas que chegam aos pulm\u00f5es dos usu\u00e1rios. A inflama\u00e7\u00e3o provocada pelo vapor est\u00e1 associada ao agravo da COVID entre os jovens usu\u00e1rios do produto, dobrando a chance de complica\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias.<\/p><p>A t\u00e3o prometida redu\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas tamb\u00e9m est\u00e1 em cheque. Subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas s\u00e3o detectadas na urina de usu\u00e1rios exclusivos do produto. Apesar de ter comparativamente menos subst\u00e2ncias qu\u00edmicas em rela\u00e7\u00e3o ao cigarro comum, n\u00e3o garante que as que est\u00e3o presentes sejam in\u00f3cuas e seguras, e adicionalmente revelam que novas subst\u00e2ncias s\u00e3o formadas pelo aquecimento da solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se conhecem os efeitos nocivos. Recentemente uma publica\u00e7\u00e3o constatou maior frequ\u00eancia de c\u00e2ncer de tireoide e de pele em jovens usu\u00e1rios do cigarro eletr\u00f4nico e estes c\u00e2nceres n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o nenhuma com cigarro convencional, comprovando que estamos diante de um produto ainda desconhecido quanto ao potencial de causar doen\u00e7as.&nbsp; Ou seja, a prometida seguran\u00e7a vai se transformando em alerta: \u201cEste produto causa depend\u00eancia e faz mal \u00e0 sa\u00fade\u201d.<\/p><p>&nbsp;Alarmante \u00e9 que o percentual de experimenta\u00e7\u00e3o e uso dos referidos dispositivos vem aumentando significativamente no Brasil, promovido pela propaganda enganosa e ilegal feita por influenciadores digitais e venda ilegal pela internet. Os dados mostram que esta \u201cvista grossa\u201d das autoridades provoca estragos na nossa vitoriosa conquista de redu\u00e7\u00e3o do tabagismo no Brasil. O percentual de fumantes, entre jovens de 18 a 24 anos, era de 28% em 1989 e, em 2019, 10%. Esta redu\u00e7\u00e3o de fumantes teve impacto positivo na sa\u00fade individual e coletiva da popula\u00e7\u00e3o brasileira, sendo motivo de reconhecimento internacional. E a\u00ed vem o cigarro eletr\u00f4nico&#8230; A pesquisa PeNSE 2019 avaliou a experimenta\u00e7\u00e3o de cigarro eletr\u00f4nico nos \u00faltimos 30 dias em adolescentes de 13 a 17 anos no Brasil e revelou que 13,6% dos jovens de 13 a 15 anos de idade e 22,7%&nbsp;dos de 16 e 17 anos j\u00e1 tinham experimentado. A Pesquisa Nacional de Sa\u00fade de 2019 detectou uso regular dos cigarros eletr\u00f4nicos em 0,64% dos indiv\u00edduos acima de 15 anos, sendo 70% na faixa et\u00e1ria entre 15 e 24 anos de idade. Isto representa quase 1 milh\u00e3o de usu\u00e1rios. Todo o trabalho para reduzir o tabagismo no Brasil est\u00e1 em risco com estes dispositivos. J\u00e1 temos evid\u00eancias suficientes para saber que viciam tanto quanto o convencional, como tamb\u00e9m provocam doen\u00e7as. O Brasil precisa tomar medidas para inibir o com\u00e9rcio ilegal e a propaganda enganosa destes produtos, al\u00e9m de fazer uma grande campanha publicit\u00e1ria alertando para o risco de depend\u00eancia e doen\u00e7as causado por estes produtos.<\/p><p>Por favor, n\u00e3o caiam na ilus\u00e3o de estimular fumantes a trocarem o cigarro comum por este produto, achando que vai reduzir \u201calgum dano\u201d. At\u00e9 agora n\u00e3o tem nada comprovando isto. N\u00f3s j\u00e1 sabemos que os fumantes devem tratar a depend\u00eancia \u00e0 nicotina e n\u00e3o substituir a maneira de obter nicotina, perpetuando a depend\u00eancia e consumo. Hoje trato de fumantes que trocaram o cigarro comum pelo eletr\u00f4nico e se queixam que est\u00e3o consumindo muito mais nicotina que antes, pois a aus\u00eancia de cheiro e outras restri\u00e7\u00f5es sociais favorecem o alto consumo. Eles dizem: \u201cDoutora, eu uso em qualquer lugar e a todo momento\u201d. Eu apelidei o produto de \u201cChupeta do Diabo\u201d.<\/p><p>O fumante deve ser motivado a procurar tratamento adequado para deixar de fumar, condi\u00e7\u00e3o que inegavelmente reduz danos, promove vida e sa\u00fade. O tratamento da depend\u00eancia ao cigarro eletr\u00f4nico utiliza os mesmos recursos terap\u00eauticos usados no tratamento da depend\u00eancia ao cigarro convencional, e, em ambos,&nbsp;as taxas de sucesso do tratamento s\u00e3o&nbsp;elevadas.<\/p><p><strong>Conhe\u00e7a a especialista<\/strong><strong><\/strong><\/p><p>Profa. Dra. Jaqueline Scholz<\/p><p>Profa. Livre Docente da Faculdade de medicina da USP, Diretora do Programa de tratamento do Tabagismo InCor, Criadora do software PAF tratamento tabagismo, Criadora da T\u00e9cnica Comportamental Fumar de Castigo.<\/p><p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p><p>Darville A, Hahn EJ. E-cigarettes and atherosclerotic cardiovascular disease: what clinicians and researchers need to know. Curr Atheroscler Rep. 2019;21(5):15. doi: https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11883-019-0777-7<\/p><p>Cullen KA, Ambrose BK, Gentzke AS, et al. Notes from the field: use of electronic cigarettes and any tobacco product among middle and high school students \u2013 United States, 2011-2018. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2018;67(45):1276-77. doi: https:\/\/dx.doi. org\/10.15585\/mmwr.mm6745a5<\/p><p>Pisinger C, Godtfredsen N, Bender AM. A conflict of interest is strongly associated with tobacco industry- favourable results, indicating no harm of e-cigarettes. 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